Minhas Publicações

Minhas  Publicações

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Família Nascimento - Museu da Estância


José Vilson Júnior do Nascimento, relato (livro Mampituba Um Vale Encantado)
Iniciou na década de 1980, que foi o nosso MUSEU DA ESTÂNCIA. Várias histórias se mantêm conservadas dentro do nosso museu e uma delas, mais destacadas, é da própria família Nascimento. De como se iniciou. A família era residente na época, por volta da década de 60, família do meu avô Jovelino Rodrigues do Nascimento, morador, residente em Cambará do Sul – RS, casado com minha avó Geni Cícer do Nascimento, tinha uma família e desenvolvia atividades lá em cima da serra, na época com serrarias.
E uma das curiosidades do início, tanto do Museu da Estância, como da música na vida de meu pai e nossa, surgiram juntamente nesse período, o qual ainda vai ser citado na sequência que eram as serenatas na época. A minha avó comentava muito sobre isso, que adorava as serenatas que eram bem comuns na serra. Então, o que acontecia nas serenatas eram desenvolvidas de forma surpresa. O pessoal chegava, anunciava a serenata, se o dono da casa aceitasse estava feito o baile. Já pulava para o galinheiro, já ia achar uma carne de porco e estava feito a festa.
O pai, naquela época com seis anos, muito arteiro, então ele tinha e sentia e transpassava algo sobre isso e em algumas conversas passadas pelo meu pai me passa e meu tio mais velho também. Meu avô tratava meu pai de meu negrinho, tocando algum instrumento, tocava especificamente a gaita. Minha avó morreu na serra, consequentemente, meu pai não teve a honra de poder assistir isso. O pai mesmo sem saber, desceu da serra diante desse fato, justamente para poder mudar os ares. Desceu para cá para produzir fumo, pois na época era bem forte essa cultura na região.
A família tratou de se encarregar de comprar uma gaita, que na época não era fácil. Porém, o meu tio mais velho e o meu avô compraram essa gaita. O pai sem saber o porquê disso, sabia que tinha que aprender. Começou então a desenvolver essa necessidade de tocar a gaita porque o pessoal passou para ele essa obrigação. O que acontecia, muitas vezes naqueles serões de estufa, turno inverso que tinha que cuidar do fogo. O pai ficava lá tentando na gaita, isso com grande pressão do avô e do tio, que até então na sequência explicaram a necessidade de tocar esse instrumento musical.
O pai foi uma dessas pessoas que desenvolveu este talento e passou para a família também e de forma individual, aprendeu com a força de vontade e com um único objetivo. Muito mais que um hobby, é uma missão que vem passando para a família; meus irmãos também tocam e eu também. Era um desejo do vô e da família, que hoje graças a Deus sempre deixamos destacado isso, que nós fizemos a vontade dele e hoje tem vários resultados disso.
             Por volta da década de 60, em 1969 mais precisamente, onde hoje está localizado o MUSEU da ESTÂNCIA, onde iniciou toda essa história. Então, hoje o que procuramos fazer é, como sempre digo, através do museu, passar um pouco desse conhecimento da história dessa região aos visitantes.
Tive a oportunidade de estudar justamente com esse foco, sentindo a necessidade. Eu creio que não só a questão da música passou de família em família, mas sim essa vontade, essa percepção de que é uma necessidade para todos, como foi a gaita para meu pai, ele passou pra gente. Foi também a questão do estudo, na área do turismo que hoje desenvolvemos uma atividade que podemos estar enriquecendo a cultura, que vem diretamente ligado a esse trabalho que a senhora Cloreci vem desenvolvendo. Então, é uma honra para toda a família essa participação.
Gostaria de ilustrar sem muitas imagens, optei por uma única imagem que é do museu da Estância, mas que é a essência do nosso trabalho, da nossa vida e do nosso projeto familiar. Está enfatizada nesta imagem, a simplicidade do nosso povo, que hoje através do turismo nós conseguimos explorar e desenvolver um setor econômico que muita gente cresce no nosso meio. Destacando a simplicidade gostaria de agradecer ao meu pai Vilson José do Nascimento, que duas coisas ele está deixando para mim. 1 - É justamente essa força, essa valorização da gente. 2 - Eu sempre brinco e a maior herança que um filho pode ter: o nome do pai. Então agradeço ao pai. E aproveitando essa história, dizer que nesse sentido: “Se a gente não sabe de onde veio a gente não sabe aonde chegar. ”




terça-feira, 27 de agosto de 2019


Lembranças de meus avós

 Almir Monteiro Correa, funcionário público, prefeitura municipal de Mampituba.36 anos neto de José Emidio Monteiro, filho de  Augusto Santos Correa e Ondina Monteiro Correa 
Colaboradores: Ondina Monteiro Correa(história) e Deoclides Monteiro (fotos)
3.17.1 - José Emídio Monteiro e Maria José Monteiro
Ainda lembro e lembro muito bem, de meu avô e sua figura e personalidade inconfundíveis, sua boina cobrindo os seus cabelos brancos, o palito de fósforo sempre no canto da boca, aquele velho pedaço de mangueira preta com qual brincava e batia em minha cabeça para depois me presentear com balas e pirulitos e de sua vestimenta tradicional e inconfundível bombachas e botas sempre, de minha avó lembro dela sentada em seu sofá e de seu cabelo que era muito fininho e liso e que continuou preto mesmo com o passar do tempo.
José Emídio Monteiro nasceu na localidade de morro do forno no dia18/12/1902  filho de Emídio Jose monteiro e Carolina Selau o pai de origem açoriana a mãe de origem alemã, perdeu a mãe muito cedo aos sete anos de idade, que morreu ao dar à luz a uma de suas irmãs e a criança vindo a falecer também, assim mudou se para a serra e foi criado por uma casal de amigos de seu pai, seu pai se casou novamente, teve dois irmão legítimos, Emídio Monteiro (miduca) e Teodoro Monteiro e da segunda família de seu pai teve mais seis irmãos, Abel, Emília (Loca),João, Marculina, Maria (nenê) e Osvaldino(nina).
3.17.2 - Tropeirismo Desde jovem dedicou-se a diferentes atividades profissionais entre elas foi carpinteiro agricultor, açougueiro, comerciante e  tropeiro esta última fazendo com que ele passasse a viajar e conhecer regiões distintas numa dessas viagens conheceu Maria José  Teixeira  em Santo Antônio da Patrulha. Nascida em Santo Antônio da Patrulha no dia10/05/1912 filha de Maria José Teixeira dos Reis e Silvério dos Reis ambos brasileiros de origem de Santo Antônio da Patrulha. Casaram-se passando a morar inicialmente em Santo Antônio da Patrulha local onde nasceram os dois primeiros filhos, logo depois mudaram se para a Praia Grande e depois Mampituba que na época se chamava Rua Nova locais onde nasceram os outros filhos.
Alternando entre idas e vindas e várias mudanças, ao se estabelecer em Praia Grande exerceu as profissões de comerciante e açougueiro, mudou se novamente para a Rua Nova no ano de 1951 trabalhando com armazém, açougue, engenho produção de açúcar mascavo, e plantação de cana de açúcar morando na Rua Nova durante os anos de 1951 e 1962, depois mudou-se para Vila Brocca e mais tarde encruzo Marçal na Vila Pereira Lentz no período entre 1961 e 1962 onde também teve um comércio, com as mudanças passando e se tornar uma rotina para família mudaram-se novamente para Praia Grande permanecendo lá de 1963 a 1970. Retornou um curto período para o encruzo Marçal até 1972 saindo antes da grande enchente que ocorreu em março de 1974 , quando aconteceu a enchente José Emídio se encontrava na serra do faxinal como havia deixado a família precisou voltar  e devido aos estragos causados pela enchente  teve que descer a serra do faxinal a pé isto  já com 72anos de idade, além  disso devido a enchente perdeu uma casa situada no encruzo Marçal, depois da enchente retornou mais uma vez ao encruzo Marçal construiu uma nova casa e residindo ali de 1978 até 1982 depois retornaram a Praia Grande onde viveram por dez anos até o fim de suas vidas.
Maria José Monteiro faleceu em sua casa, aos 80 anos de idade, no dia no dia 24 de julho de 1991 e José Emídio Monteiro também em sua casa com 91 anos de idade no dia 21 de maio de 1992 ambos estão sepultados no cemitério de Praia Grande.
Ao todo José Emídio Monteiro e Maria José Monteiro tiveram treze filhos: Osvaldina, Orlandina, Deomar, Deoclesio, Onira, Ondina, Oneide, Olga, Olma, Deoclides, Ocilma, Orlene e Olenir sendo 5 falecidos: Orlandina, Onira, Oneide, Olga, Olma as três últimas falecendo ainda crianças e as duas últimas gêmeas, e tiveram também trinta netos; trinta e cinco bisnetos e 14 tetranetos. Uma grande família.
Como sempre ouço minha mãe e meus tios dizerem a casa dos meus avós era sempre cheia de gente, na mesa da casa deles sempre cabia mais um, meu avô não foi um homem rico não teve grandes posses nem foi político nem nada disso, foi um homem simples de hábitos simples, um pescador passava as tardes pescando, pois esse era seu passatempo preferido, mas foi um grande homem sem sombra de dúvida foi e junto com minha avó construíram uma grande família a minha família, com certeza foram suas maiores riquezas, e valores como honestidade, bondade e generosidade foram as maiores heranças deixadas por meu avô a sua família.
Usando um verso de uma canção escrita pelo maior cantor gaúcho de todosos tempos Teixeirinha, faço uma homenagem ao meu avô José Emídio Monteiro, minha avó e toda a família Monteiro.
``Tropeiro velho hoje descansa em paz
Estou fazendo aquilo que ele fez
Os anos passam também fico velho
Vou esperando chegar minha vez´´
 Teixeirinha







quarta-feira, 21 de agosto de 2019


CONTRIBUIÇÕES PARA A HISTÓRIA (Do livro Mampituba Um Vale Encantado)
Professora Senhora Maria Veni Brocca Minoto

1.EMPRESA MAMPITUBA
A empresa Mampituba que iniciou como linha seca por apenas andar em tempo não chuvoso iniciou-se por volta do ano de 1947 ou 1948, tratava-se de um período de experiência de um caminhão Chevrolet toldado, sendo a seguir substituído por ônibus. A partir de então, o caminhão servia como auxiliar quando o ônibus quebrasse nas estradas rudimentares.
Primeiros motoristas foram da seguinte ordem – Valdevino Ireno Cardoso, Joventino Ireno Cardoso e Inê Brocca.  Este último, inicialmente era cobrador. Nesta época muitas pessoas pediam para parar o ônibus a fim de perguntar as horas, trocar dinheiro ou oferecer café ao proprietário Senhor Olívio Brocca, bem como ao motorista e cobrador.
Comércio - Olívio Brocca ao vender essa pequena empresa que fazia o trajeto Praia Grande, Santa Catarina a cidade de Torres, RS. Estabeleceu-se com comércio na entrada do Rio de Dentro, mais tarde chamada de Vila Brocca. Esse comércio tratava-se de loja de tecidos, confecções e armarinhos, bem como secos e molhados. Transformou-o junto em sociedade com seu tio Daniel Brocca e seu filho Inê Brocca num atacado de compra e venda a varejo de grande porte.
Já no ano de 1957, Olívio Brocca sofreu um derrame cerebral muito forte, ficando paralisada a voz por muito tempo, além de várias outras sequelas o que o tornou o importante projeto de vida em fracasso.
Nesse tempo do comércio de Olívio Brocca e que através dele e de seu amigo que só conheci pelo nome de Ari, foi entabulado e estabelecido a granja de arroz SCHAZAN de Porto Alegre, que deu grande impulso no meio local, tanto em Vila Brocca como em Rio de Dentro.
Já existiam nesta época- serrarias, barbearias, ferrarias e engenhos de cana de açúcar, pequenos armazéns. Mais tarde houve ponto de táxi, sapataria, alfaiataria e fábrica de balas do senhor Neco Davi.   Naquela época era fiscal de quarteirão da região Demétrio Alves Fogaça residente em Roca da Estância. 
Por influência do governo Antônio Almeida em 1960 ou 61 – Prefeito da cidade de Torres, amigo de Brizola, governador do Estado do Rio Grande do Sul, foi construída a Escola Rural de Roça da Estância, que já funcionava desde agosto de 1959, primeiramente (59) em um salão particular pertencente ao Senhor José Rosa e a partir do ano de 1960 no salão paroquial.
Em 1959 passou a se chamar Escola Reunida de Roça da Estância e eram seus professores – Nair dos Anjos Muller, Maria Veni Carvalho Brocca e Santana Clezar. Em 1960 assumiu suas funções nessa escola Maria Daitx de Matos, somando-se então quatro professores.
A Escola Marciano Cardoso iniciou por volta de 1963, por influência de Antônio Almeida. A primeira diretora foi Maria de Vargas Maciel.
No governo de Antônio Almeida o Senhor Segundo Bedinot foi suplente de vereador representando a comunidade.
Artes e artesanato – Muitas moças também aprendiam bordados e crochê, segundo depoimento de minha mãe, nascida em 1906.
Alimentação – o café era colhido pelas donas de casa nos pequenos cafezais ou comprado em grãos no comércio. Em casa era torrado na panela e mais tarde na torradeira, socado no pilão, depois peneirado ficando pronto do uso.
Para fazer compras no comércio levava-se sacos ou a mala de algodão (tecido).
Nascimento – os nenês usavam uma faixa de tecido no cordão umbilical e outro em volta de todo o corpo para ficar firme. Acreditava-se no mal de sete dias, pois ao sétimo dia de nascimento, não podiam tirar o nenê do quarto.
1955 – 1959 – já existiam patrolas no município primeiramente operada pelo senhor Manoel da Silva (Manequinha da patrola), depois por Zeferino Joaquim.
1960 – 1963 – prefeito Municipal Antônio Almeida, vereador representante da região – Segundo Bedinot – destaca-se esse governo na construção das escolas de Vila Matias e de Vila Brocca. A escola estadual de Rua Nova foi construída pelo governador do Estado Leonel de Moura Brizola, por influência de Antônio Almeida e líderes locais. Nessa época foram construídas pequenas pontes e aperfeiçoamento de estradas com patrola e tombadeira. As estradas eram roçadas pela comunidade, as vezes em troca por impostos.
1964 – 1968 – Prefeito Municipal Pedro Cardoso Duarte, subprefeito da região de Mampituba Manoel João Brocca, Construção de pontilhões, reparos e conservação de estradas. Construção de escolas em Rio de Dentro e Roça da Estância, construída pelo Governo do Estado, da E.E.E.F. Marciano Cardoso de Costãozinho.
No ano de 1964 foi criada a paróquia de Bom Jesus de Roça da Estância, assumindo como pároco o Padre Mariano Callegari.. Neste período houve um movimento comunitário mais socializado, com associações, sindicatos rurais, grupos de jovens, cursos de carpintaria, corte e costura, bordados e outros artesanatos, sendo liderados pelos tutores – Maria Mugnhol, João Rodrigues da Silva (Joao Porcina) e outros.
Governo municipal Manoel João Machado, subprefeito Jerônimo Selau (Falecido Barroso). Consegue-se a energia elétrica através da cooperativa de Praia Grande;SC, primeiramente para a Sede do 7°distrito, graças ao empenho de vários líderes locais como – Valdir Minoto, Ivo Possamai Della, Artur Vagner, Aurino Correa, etc, Mais tarde também foi estendida a outras comunidades. Construção de mais estradas e escolas.
1973 – 1977 – Clóvis Webber Rodrigues, vereador pela região Valdir Minoto, subprefeito Joaquim dos Santos Rocha. Neste período as comunidades de Roça da Estância, Vila Brocca, Vila Pereira Lentz e Rua Nova foram assoladas pela desastrosa ENCHENTE DE 20 DE MARCO DE 1974, onde foram ceifadas muitas vidas. As famílias desta região perderam casas, terras, animais, plantações, armazéns, indústria madeireira. As regiões mais devastadas foram – Vila Brocca, Vila Pereira Lentz e parte de Rua Nova.
Reunidos Valdir Minoto e Joaquim dos Santos Rocha, juntaram forças e buscaram recursos com o governo municipal já no dia 25 de março de 1974, indo em um caminhão até Torres, tendo que fazer a volta por Três Cachoeiras. Já nesse mesmo dia a tarde chegava as primeiras compras através do município a comunidade de Rua Nova, e nos dias a seguir, conforme as águas baixavam até as outras localidades. As doações dos mais diversos órgãos permaneceram vindo e sendo distribuídos até novembro de 1974.
Nesse período crítico também fomos assistidos por um médico e um enfermeiro enviados pelo FUNRURAL pertencentes a Igreja Adventista do 7° Dia, equipes da secretaria da saúde trabalharam para consultas e vacinação. Equipes do Exército Nacional assistiram com médicos, dentistas. Reconstrução e demolição em outro local   da escola  de Vila Brocca, assim como pintaram a escola estadual de Costãozinho. Estradas e pontes desta região tiveram que ser refeitas pelo poder municipal. Criados postos de correio.  Destaca-se por insistência de Valdir Minoto a construção da estrada que liga Rua Nova a Costãozinho, para evitar desavenças entre proprietários.
Comissão Emancipacionista –Valdir Minoto esteve ausente por um período, porém a partir de seu retorno a Torres, encarregou-se em fazer toda a documentação necessária para que ocorresse a emancipação.
Gervásio Menegás foi aí a residir no ano de 1962. Santa Luzia consta desde 1951 Manoel Lentz e Inácio Atanázio Muller. Na cozinha de Manoel Lentz (Neco) havia marcas de tiroteio em revoluções, na qual morreu o avô do motorista Vilson José do Nascimento da empresa Mampituba.
Armazéns e lojas de Velocino José Pereira (Velúcio Bento como era conhecido) Marcilio Cristovão e Arno Muller.
1948 – 1949 – Iniciam escolas no salão comunitário Rio de Dentro com a Professora Joana Preto Pereira, e em particulares tem da Vila Pereira Lentz, até então denominada Praia Grande, Rio Grande do Sul. Primeiro na casa de dona Edvirges Rodrigues , depois de Theófilo Lentz, tendo como primeira professora Orlandina Lentz, depois Lidia Brocca Lentz. 

segunda-feira, 13 de maio de 2019

QUADRANTE PATRULHENSE – TORRES e seus municípios FILHOS


 3.1 RESGATANDO....
Apresentação: Terezinha Borba Quadros – Professora, historiadora e Cidadã emérita deste município.  Descendentes açorianos, alemães e italianos
....Falar sobre a história do município de Mampituba é resgatar a história de seu povo e a estrada percorrida por bisavós, avós e pais até chegar na atualidade. O patrimônio histórico material e imaterial de uma cidade é a maior riqueza de sua gente. É preciso valorizar e conhecer este tesouro, antes que desapareça. Portanto, o povo de Mampituba está de Parabéns, pois a Vereadora e Professora Cloreci Ramos Matos, está buscando não perder as raízes, através da pesquisa oral, pois na atualidade, historiador de tempo recente é um criador do arquivo da palavra, ao registar as falas dos atores sociais. Como oralista da história, sua prática deve ser cuidadosa na técnica de depoimentos, bem como na análise e na interpretação, porque também precisam narrar emoções, silêncios, exclamações, interrogações e risos. Trata-se de um instrumento de compreensão das ações humanas e dar suas relações de compreensão das suas relações com a sociedade organizada.>
QUADRANTE PATRULHENSE – TORRES e seus municípios FILHOS
Falar desse município é uma tarefa muito difícil pela grandiosidade deste povo, suas histórias e suas paisagens, mas, o que muito bem estão fazendo o povo dessa terra.
Vou falar do amado MAMPITUBA / antiga RUA NOVA de forma sucinta.
Em 07 de outubro de 1809. Por ordem da realeza D. JOÃO VI, foi criada a 1ª rede de municípios do Rio grande do Sul, sendo em número de quatro: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha.
Pertencemos a SANTO ANTÔNIO, onde atualmente conta com 77 municípios e inseridos nesta rede o Município de Torres e seus 6 filhos.
Arroio do Sal- emancipado em 1988;
Três Cachoeiras - emancipado em 1988;
Três Forquilhas - emancipado em 1992;
Morrinhos dos Sul- emancipado em 1992;   
Dom Pedro de Alcântara- emancipado em 1995;
E no mesmo ano pela Lei nº 10.671 de 28 de dezembro de 1995, cria o município de MAMPITUBA, instalado em 1º de janeiro de 1997.
              Nossa Região é uma mistura de etnias, por volta de 1.752, foram se instalando os primeiros açorianos, vindo das Ilhas do Arquipélago dos Açores, que foram entrando para a região por Laguna e Viamão.
Abaixo o ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES, de onde muitos dos nossos
Ascendente do além mar, partiram com destino às terras brasileiras.
ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

AÇORIANOS, ALEMÃES E ITALIANOS
Mas, por muitos anos São Domingos das Torres, nada mais era do que uma passagem do Norte para o sul. Por ser a divisa de província do Rio Grande do sul e Santa Catarina.
Somente em 1803 chegou o Sargento Manoel Ferreira Porto (português ilhéu) denominado o nosso fundador e ainda nomeado comandante da Guarda. (Do forte).
Mais tarde foi construído o Presídio que deram o nome “Baluarte Ipiranga” presos de guerra, sobre comando do já Alferes Manoel Ferreira Porto.
Em 1815 o Alferes, recebeu autorização do Bispo para construir uma capela com mãos de obra de prisioneiros e índios. Em 24 de outubro de 1824 foi inaugurada, sofrendo depois algumas alterações- é hoje a IGREJA SÃO DOMINGOS “das Torres”.
Em 17 de novembro de 1826, chegaram os primeiros imigrantes alemães, por inúmeros motivos os católicos, após muito sofrimento na região alagada em Torres, foram se fixar em Colônia de São Pedro e os Protestantes já  se estabeleceram no Vale de Guananazes, atual Três Forquilhas, pois com as famílias veio o Pastor Voges, professor e médico. Aproximadamente por volta de 1890, foram chegando os italianos, vindos da região serrana, estabelecendo-se na região de Pirataba e Morro Azul.
3.2 PECULIARIDADES
O processo de desenvolvimento de Torres, acontecia lentamente, devido as grandes dificuldades de acesso (estradas) que era feito então, pelas lagoas, rios e tropas de mulas.
O município de Mampituba, sua emancipação se deve a coragem e ao carisma do grande guerreiro Élio de Farias Matos, pelo exemplo de luta, enquanto Vereador ( duas gestões), no município pai – “Torres”.  Sendo, reconhecido por sua comuna e assim o primeiro PREFEITO do novo município filho - “MAMPITUBA”.
Registro aqui algumas peculiaridades e coincidências deste povo.
 O 1º Prefeito de Torres - Moysés Camillo de Farias, foi o Padrinho de Batismo do 1º Prefeito deste município, Élio de Farias Matos.

 






O 2º Prefeito de Torres, Cel. Severiano Rodrigues da Silva, tem aqui nessa comunidade muitos dos seus descendentes, entre eles o bisneto, o atual Vereador Arnaldo da Silva. Foi também Patrono da Escola Municipal, na localidade de Rio de Dentro.

 3.3 MAMPITUBA: nome e suas origens.
RIO que faz divisa entre o nosso Estado e o de Santa Catarina.
              Na linguagem dos indígenas, tanto pode ser PAI DO FRIO, como rio de muitas curvas ou Serpentes (cobras chatas).
              Um Rio com um curso de 18,5 km de extensão, que se origina pela junção do Rio Sertão e Glória.
             Seu nome deriva-se, segundo Teodoro Sampaio, de mã-pituba = coisa que é arejada, ventilada.
             Segundo Vieira da Rosa, porém, de MAMDI-TUBA - Onde há muitos mandins, peixe este que, se encontra em abundância no curso do rio, a nós parece a antiga forma IBOPETUBA, indica que no nome do rio entra a palavra tupi “imboi” = a COBRA.

3.4 CARACTERÍSTICAS
A profundidade fica em 5 metros logo na barra do Sertão, a largura média uns 60 metros, vindo a estreitar até 4 e 5 metros de largura, o que dificulta a navegabilidade.
Os únicos afluentes do Mampituba são: na margem esquerda a sanga da Madeira, escoadouro navegável da lagoa do Sombrio, que por sua vez está em comunicação com a do Caverá; na margem direita a Sanga da água boa de Torres, sangradouro da lagoa de Torres.
Dos galhos componentes do Mampituba o mais importante é o SERTÃO.
ALGUMAS IGREJAS DO MUNICÍPIO DE MAMPITUBA
E importante que o passado não se perca, por isso me propuz, na década de 90, pesquisar e registrar através de imagens, parte da história religiosa deste município.
Estes verdadeiros templos espirituais, pontos de valor cultural para o município, além da magia e do encantamento, as histórias das famílias com seus parentes e vizinhos, seus costumes, aspirações, tristezas, alegrias e principalmente sua simplicidade. É nessa simplicidade que se pode ver o belo.
Toda cidade e toda comunidade, seja urbana ou rural ela inicia-se com um aglomerado de famílias, e ali vai surgindo o povoado, o natural é a construção de uma capela, uma igreja é um marco, é o ápice do seu início. Uns cresceram, outros permanecem pequenos povoados, mas tem uma referência: a igreja.
 3.5 – IGREJAS DO MUNICÍPIO
IGREJA PIONEIRA NO MUNICÍPIO DE TORRES. Inaugurada em 1824.
Destacou-se naquela ocasião, no decorrer da minha pesquisa, no antigo são domingos “das Torres”, a Religião Católica Apostólica Romana, sendo na ocasião a mais difundida na Região.
 RUA NOVA/ MAMPITUBA. Construção iniciada 1947 e CONCLUÍDA EM 1951. Padroeiro São José 
                                            
                        Chapada do Morro Bicudo



COSTÃOZINHO- PADROEIRO SANTO ANTÔNIO. Construída em 1930. com reformas em 1945 inaugurado um sino com 109 quilos. REFORMA EM 1965. 

  

VILA BROCCA- IGREJA NOSSA SENHORA APARECIDA.

  ROÇA DA ESTÂNCIA. Padroeiro BOM JESUS. Construída em 1955.   
MORRO TAQUARUÇU –Padroeira Santa Terezinha .Construída em 1987.



 Salão -  Igreja – Escola Rio da Invernada


RIO DE DENTRO – Padroeiro São MANOEL. Construída em 1990.






Fica aqui um QUESTIONAMENTO ?
ESCOLA E CAPELA ? Espaço de 
Propriedade de João Ferreira Alves, funcionou neste local: Consultório dentário, correio, bar. 



Professora /Pesquisadora: Terezinha C. de Borba Quadros


1.1. Recordar é Viver


1.1. Recordar é Viver
João Pacheco Lopes recorda.  O meu pai era João Lopes da comunidade do Costãozinho e casou se com minha mãe que era da comunidade de Roça da Estância filha do Senhor José Pacheco e de dona Marcolina de Jesus. Uniram-se e formaram uma família. Os parentes iam muito à casa da minha avó e viam exatamente como eles viviam as dificuldades que eles passavam na agricultura. O meu avô vendia fumo de corda, cebola, os produtos que plantava. Ele saía a vender pra trazer o sustento pra sua família. Vendia nos armazéns de Praia Grande/SC e trocava por alimentos que não produzia. Para comprar o próprio remédio, nas farmácias para criar os seus filhos.
Éramos onze filhos. Infelizmente um irmão faleceu tinha dez anos caiu um engenho de cana de açúcar por cima, por uma infelicidade. Meu pai estava moendo cana com os dois irmãozinhos e um não se salvou. Não cheguei a conhecer meu irmão, mas contam meus irmãos mais velhos que  estavam moendo cana e um boneco do engenho, tinha os dois furos e meu pai esqueceu-se de colocar o torno do furo de baixo, o boi levantou pra cima, pegou numa linha do engenho, derrubando o. Meu irmão mais velho correu e se defendeu o mais novo morreu embaixo de um pau do engenho.
Onde a gente se criava ajudando os pais a comprar os pedacinhos de terra, nem tínhamos idade para trabalhar. Já começávamos com cinco anos. Enquanto um colocava a cana o outro retirava o bagaço...
            Antigamente nós éramos criados assim, hoje as coisas estão evoluindo e nós que viemos para a vida pública, como a nossa vereadora que está buscando as nossas origens, quer mostrar aos mais jovens, as pessoas que estão estudando, o jeito que era e como vai ser daqui para frente. A vivência das pessoas e nós temos que acompanhar, mesmo nós tendo a 1ª e 2ª serie o que tive a oportunidade de estudar, como aconteceu comigo. Estudei dentro da casa da minha professora. Mas não foi por isso que deixamos de criar nossos irmãos e deixamos de criar nossos filhos. – Às vezes minha gente, o estudo não e tudo. As pessoas que estudam se clamam que não podem, não dá. Nos que não estudamos ajudamos a tocar um município para frente, uma comunidade. Muitas vezes pedi para aos meus pais queria estudar e meu pai dizia. Não vai porque um caminhão pode pegar você, te machucar e até mesmo matar. Era uma distância de uns 12 quilômetros a pé até Praia Grande-SC, tinha muita vontade, mas não tive oportunidade.
Nosso glorioso Padre Mariano, montado a cavalo ou a pé, ia visitar de casa em casa, muitas vezes foi na nossa casa. Nós corríamos porque tínhamos medo de padres. Mas ele aos poucos nos dava a benção e nos convencia ir à missa. Tomou café muitas vezes em nossa casa, que era servido sempre com humilde com batata doce assada no forno a lenha, pão de milho da roça. Hoje com a minha idade acabo indo pouco na igreja. O que recomendo aos jovens participar mais de suas comunidades igreja. Isso é muito importante para nossa vida. Há muito tempo atrás quando era jovem costumava ir na casa do pai do senhor Alcides Lopes atual presidente do sindicato, para comer arroz com leite, porque não tínhamos arroz em casa. Ele trabalhava na várzea onde dava o arroz. Isso tudo são as origens da gente.
Destaco outra pessoa importante para o município o Senhor José Vensceslau Scheffer, criado na lavoura, também exemplo de agricultor. Fazia cachaça colocava no tanque para depois que vender sua safra, pagar as prestações de suas terras, onde ele vive com sua família até os dias de hoje. E a gente nunca esquece o que somos agora e o que vamos ser daqui 50 anos. 


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Do livro. "Mampituba Um Vale Encantado" org. Professora Cloreci Ramos Matos

MENSAGEIROS DO TEMPO
Venho de um lugar chamado TEMPO, tempo de semear, plantar, cuidar, colher e produzir. Produzir alimentos, conhecimentos, vida, história, cultura, encantos, magias e curas. Venho trazer esperança, sonhos de uma vida melhor com mais cuidado, de um longínquo e distante Estado. Estado do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de municípios diversos que compõe o nosso País.
Principalmente imigrantes de diversos países que vem conhecer e desbravar este chão. Com promessas de vida fácil, terras férteis em abundância.
Sou mensageiro de famílias Açorianas, Portuguesas, Italianas, Luso Brasileira e Alemães. Viajei por muitos lugares buscando caminhos para estabelecer minha família, minha identidade, minha cultura, meus hábitos, minha religiosidade e espiritualidade.
E chegando num vilarejo, de gente simples, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, entre serra e mar, distante a 35 km de Torres e popularmente conhecido por seus moradores como Rua Nova, 7° Distrito de Torres, há pelo menos 140 anos. .
Viajo num caminho de belas paisagens, de histórias e memórias de um povo que vive em parte as tradições do passado, numa pluralidade de etnias, cuja formação principal da cidade é de origem açoriana, alemã e italiana.
E é nesse contexto que encontro os mensageiros do tempo: contadores, historiadores colaboradores que prescrevem a memória de um povo, a quem dedico esta obra.
Cloreci Ramos Matos

terça-feira, 8 de outubro de 2013

   Foi aprovado nesta segunda feira, dia 07 de outubro/13  da Vereadora Cloreci do PSDB de Mampituba  a  seguinte indicação:

  • Que seja instituido no calendário oficial de Mampituba o “Outubro Rosa”. Ações de prevenção ao câncer de mama realizadas no “Outubro Rosa” serão comandadas pela Secretaria Municipal de saúde e assistência Social, somadas às ações já existentes, promovidas pelo município de Mampituba.
  •  O “Outubro Rosa” é uma campanha mundial de prevenção ao câncer de mama, realizada no mês de outubro, tendo como símbolo um laço cor de rosa. Em todo o mundo, o “Outubro Rosa” é comemorado com objetivo conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Este movimento começou nos Estados Unidos em 1997, chegando ao Brasil em 2002, com a iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, que fica na cidade de São Paulo. Cada ano vem aumentando a adesão ao movimento tanto no país como no mundo.